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Bolinhagate, my two cents…

outubro 25, 2010

Eu não ia nem blogar sobre o bolinhagate porque achava que tinha perdido o timing, mas incrivelmente a Globo continua insistindo no assunto, nem que seja para me permitir um pitaco. Hoje encontro o Noblat começando um texto meio surtado com a seguinte afirmação: “Bolinha de papel, rolo de fita crepe, pano de bandeira, chumaço de algodão – nada pode ser usado de forma hostil para atingir alguém sob pena de tal ato configurar uma agressão.” Nananinanão, senhor Noblat. Não sei quanto a outros projéteis, mas bolinha de papel eu posso jogar sim. Reinvidico o meu direito a um protesto bem-humorado, meio self-deprecating e completamente desprovido de riscos físicos. No máximo pode ser um pouco humilhante para quem recebe o protesto, mas convenhamos, à diferença de um ovo ou uma torta na cara, é o equivalente balístico a gritar “bobão!”. Eu particularmente preferiria jogar aviões de papel, principalmente pela segurança tática que o alcance de arma permite. Isso evitaria que eu tivesse o destino da única pessoa que realmente saiu ferida da confusão lá: um militante petista espancado por capangas tucanos, que, conforme os relatos completos, foram os primeiros a apelar às vias de fato.

Enfim, o melhor disso tudo foi a campanha do Serra e a imprensa serrista morderem a isca do bolinhagate e desperdiçarem quase uma semana de campanha, a dez dias das eleições, discutindo um assunto tão ridículo. Podiam estar inventando novas denúncias, fabricando mais panfletos prometendo a danação eterna a quem votasse no PT, mas ficaram insistindo no assunto mesmo depois que tinha virado piada internacional. Não só desperdiçaram tempo como conseguiram, ao chegar nesse nível de falta de senso, perder alguns eleitores. Conheço pessoas que abandonaram o voto no Serra depois do bolinhagate e trackings internos da campanha da Dilma detectaram um aumento de 4% na diferença entre ela e o coiso depois dessa semana de debates políticos tão densos. Genial, João Santana! Agora que o Globo apareceu com um novo laudo e o Noblat continuou falando do assunto, isso a meros seis dias da eleição, é hora de dar mais corda e deixar essa ser a pauta até lá! Aproveita que esse povo não tem o menor senso de humor e jogo de cintura. Se não tivesse tão desesperado para faturar cada pontinho, Serra podia ter lidado diferentemente com o ocorrido. Jogar ovo, tomate, alface é uma tradicional e veneranda forma de crítica artística quando o espetáculo não agrada à platéia. O mais provável é que no caso do Serra a crítica seja só por sua canastrice, mas ele podia ter arriscado a desculpa que virou moda entre os wannabe artistas depois de Stravinsky e outros modernistas terem levado umas verduras para casa de maneira não-convencional: “eles não entendem o meu gênio…

De resto o comentário do Noblat, tentando pintar o PT de diversas mazelas anti-democráticas, sujeita-se a toda forma de resposta “tu quoque”. Ok, todo mundo sabe que isso não é argumento, nem isenta o PT nos casos em que o que ele diz é verdade, mas mostra que o PSDB escondia sua corrupção com o fino verniz de um presidente que falava francês. Para ficar em um exemplo do texto, sobre o uso político da PF, basta lembrar do caso da Roseana Sarney. Mas mais fantástica mesmo é a afirmação no artigo de que a militância petista e proto-petista, nas suas origens sindicais, era especialmente chegada à violência. Esquece que nessa época a militância de direita atendia pelo nome de tropa de choque…

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  1. Jampa permalink
    outubro 26, 2010 11:47 am

    Homenagem aos filósofos blogueiros: ” que interesse há em estudar filosofia, se tudo que ela tem para te oferecer é te tonar capaz de se expressar de maneira relativamente mais plausível sobre certas questões de lógica obtusa, etc., se isso não melhora a tua maneira de pensar sobre as questões do cotidiano, se isso não te torna mais consciente que um jornalista qualquer na utilização de expressões perigosas que as pessoas dessa espécie utilizam para seus próprios fins? (tradução livre minha, Wittgenstein, Correspondance).

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