Skip to content

Hackers pela democracia

novembro 24, 2010

Por coincidência, depois de ter publicado o post sobre a importância de abertura dos dados do governo, vi uma notícia no Nassif (ripada da FSP) sobre o mutirão Transparência Hackday durante o 2º Forum de Cultura Digital. A motivação do movimento é aumentar a transparência e accountability da classe política e criar mecanismos tecnológicos para superar as dificuldades de acesso aos dados pelos meios oficiais ou a falta de mecanismos para a participação dos cidadãos. A principal atividade é a criação de robôs de busca (spiders ou crawlers) para extrair em um formato manipulável os dados que estão escondidos no fundo dos sites estatais. Com esse tipo de extração de dados o site Congresso Aberto consegue, por exemplo, fazer essa análise detalhada de cada votação por partido e região, com alguns gráficos bem instrutivos. Outros gráficos interessantes que mostram o que pode ser feito com acesso aos dados: uma distribuição espacial das posições dos partidos em relação ao governo ou uma representação bastante instrutiva da presença em votações por partido, na qual nota-se uma baixa presença da oposição (e de onde se tira mais argumento para mostrar que se Lula massacrou a oposição foi grande parte culpa dela mesma). Outro hack interessante foi a clonagem do Blog do Planalto para permitir o envio de comentários, o que não é possível no original. Note-se que, apesar de o blog original não ser aberto a comentários, foi a adoção de uma licença aberta, a Creative Commons, que permitiu fazer a clonagem dentro da lei. Mais informações sobre o #thackday no blog do Tiago Dória.

Para quem perdeu esse hackday, mas gostou da idéia e quer entrar na próxima, o Eaves do Canadá junto com várias pessoas, inclusive os organizadores do hackday aqui, está combinando uma Maratona Internacional de Dados Abertos para Sábado, dia 4 de Dezembro. A idéia é participar com projetos que usem criativamente os Dados Abertos de alguns governos ou então, o que parece mais o caso no Brasil, ajude a coletar dados de sites governamentais e construir um banco de dados em um formato facilmente manipulável. O mais importante aqui são as idéias. Minhas habilidades de programação andam  horrivelmente enferrujadas, mas não é preciso nada do outro mundo e é fácil engajar pessoas que implementem as idéias. O mais difícil é ter uma noção geral dos dados que podem ser coletados e pensar em todas relações interessantes que podem ser feitas. Aqui em Serra Talhada temos um curso de informática e espero engajar alguns alunos na proposta, assim quem não sabe programar mas tem boas idéias pode ajudar bastante.

E, claro, essa Maratona é um ótimo treino para as Olimpíadas da Hackeação de Dados Abertos: o concurso Apps for Development patrocinado pelo Banco Mundial para o melhor aplicativo que use os dados abertos do BM seja para aumentar a consciência a respeito de uma das Metas do Milênio, seja para contribuir para o progresso na busca dessas Metas. E a gente pode crowdsource o que já foi crowdsourceado, criando um bom grupo unindo hackers e pessoas que não sabem programar, mas que têm boas idéias. Comentem aí, pô!

Anúncios
6 Comentários leave one →
  1. novembro 24, 2010 2:18 pm

    Leo, vou mostrar seu post para meu irmão… Eu tive uma boa experiência com ele quando da formulação de um banco de dados e uma ferramenta de buscas para minha pesquisa sobre o Velho Graça. Sem conhecer de programação eu pude, ao conversar com ele sobre a “lógica da línguagem”, perceber as várias possibilidades de desenvolvimento de ideias para aplicativos em função do material a ser coletado. A dificuldade a meu ver muitas vezes é jogar para o vernáculo os dados existentes em formulações abstratas(da estatística, por exemplo), porque só assim atribuímos significado para as possíveis cruzamentos, e podemos visualizar ferramentas para sua recuperação e análise. No caso da minha experiência com Helder, a ferramenta de armazenamento de dados apenas reproduziu a lógica da organização do Arquivo que estudei. Se havia recortes de jornais dentro de pastas, reproduzimos essa relação usando a teoria dos conjuntos. Repertoriei categorias da análise presentes em meu trabalho “título do artigo”, “data de publicação”, “jornal que foi publicado”, “local de circulação do jornal”. Essas categorias são todas operacionais na ferramenta, podendo-se criar um quadro de informações bastante completo sobre o assunto que estudei. Acho que um primeiro ponto é repertoriar a partir de vários pontos de vistas (chamar pessoas de várias áreas de conhecimento para ajudar a fazer isso) nos bancos de dados a serem rakeados as diversas categorias pertinentes para tratarem os tipos de dados ali presentes. Acho que a partir das categorias os programadores poderiam ter um ponto de partida mais concreto de como fomular programinhas legais para brincarmos de entender a realidade.

    • Leonardo Cisneiros permalink*
      novembro 25, 2010 12:41 am

      Grande Jampa, feito eu disse no post: nessas coisas as ferramentas são fantásticas mas as idéias de como colocá-las em funcionamento são mais importantes ainda. E para isso quanto mais experiência cruzada, mais cross-pollination (feito falo em outro post), melhor. Essa tua experiência de uso da tecnologia na análise de Graciliano me alertou para todo um outro mundo de possibilidades de uso da tecnologia para além só dos dados oficialmente reconhecidos como tal. (Para ficar só no nível político mesmo: análise de texto dos discursos ou das justificativas das leis?) É bom a gente ir juntando esse brainstorming porque minha intenção em juntar um grupo aproveitando essa motivação tão de curto prazo é para deposi pensar em questões maiores de ciberdemocracia, participação popular através de meios eletrônicos etc. e formar um grupo para trabalhar nisso tanto como pesquisa quanto como “extensão”, isto é, criando essas ferramentas. As possibilidades são inúmeras.
      Grande abraço. Passa o link pra Helder mesmo!

  2. Rodrigo Amaro permalink
    novembro 24, 2010 8:50 pm

    Grande Leo, excelente post, Parabéns.

    Pode contar comigo. Penso na possibilidade de criação de um “Observatório Multidisciplinar de Dados Abertos” que seja capaz de utilizar o opendata público para promover efetiva comunicação considerando as especificidades dos stakeholders da informação.

    Outra linha de frente pode ser firmar parcerias com as Controladoria e Tribunais de Contas para fortalecer o tema educação fiscal.

    Pode contar comigo, tô dentro.

    • Leonardo Cisneiros permalink*
      novembro 25, 2010 12:18 am

      Massa, Rodrigo! O pessoal já vem trabalhando em muita coisa legal e, pelo que vi, é um grupo fantástico para ajudar a implementação dessas idéias. Estou fervilhando de idéias e sua experiência com controladoria vai ser importantíssima. Depois podemos até transformar algumas dessas atividades em projetos de extensão ou pesquisa… (fora o prêmio do Banco Mundial! ahahaha) Vamos que vamos!
      Abraços (voltas quando?)

Trackbacks

  1. As Três Leis dos Dados Abertos « Beco Três
  2. Como foi o meu #odhd aqui no Sertão « Beco Três

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: