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Potencializando o ativismo de sofá

novembro 15, 2010

Algumas ferramentas interessantes de participação política online

Vou deixar para outro post aquela discussão metida a chique que me faria virar um filósofo pop e ser convidado para mesas redondas sobre se devemos ser apocalípticos, integrados ou carnavelescamente empolgados em relação às novas tecnologias e seus impactos na política e na democracia. A princípio minha posição fica naquela cautela que não te faz virar pop porque moderação é ruim pro marketing: meu lado geek se empolga com o avanço da tecnologia e quer crer que ela sozinha pode gerar mais participação, democracia e todas outras virtudes cívicas, mas, por outro lado, não dá para ignorar que a última campanha presidencial mostrou como a tecnologia pode servir muito bem também à disseminação de um discurso terrorista, contrário à razão e à busca de um consenso. Tenho lá minhas dúvidas sobre se a tecnologia garante sozinha que a internet seja o novo espaço público sem que nós tenhamos que nos esforçar para isso tanto quanto em outros espaços. Ou seja, não sou nem apocalíptico nem festivo, mas ainda estou para encontrar encontrar um rótulo que venda bem…  Em todo caso, prometi essa discussão para depois e esse post de hoje vai assumir um lado mais otimista, nem que seja por levar em consideração que uma boa massa de pessoas que têm capacidade para processar as informações disponíveis na rede mas que andam preguiçosas demais para sair às ruas possam começar, com esses recursos de participação eletrônica, pelo menos alguma forma de ativismo no conforto de sua casa. Então, aí seguem alguns links para que o seu ativismo de sofá fique mais eficiente e participativo.

Outro dia descobri o ótimo site Votenaweb, iniciativa da WebCitizen, no qual você pode tomar conhecimento de alguns projetos de lei em discussão no Congresso, votar em cada um e comparar, no caso dos já decididos pela Câmara, seus votos com os dos parlamentares, criando um ranking de afinidade com eles. Algo parecido com a proposta do Extrato Parlamentar, que compara sua opinião sobre algumas votações recentes com as dos parlamentares do seu estado e mostra quem mereceria mais o seu voto. Outra funcionalidade interessante do Votenaweb é a possibilidade de “assinar” projetos de interesse, recebendo informações por email de todos os passos de sua tramitação. Essa funcionalidade também está disponível no site da Câmara dos Deputados. Para quem tiver saco o site de cada casa legislativa do Congresso fornece ainda mais informação. Pegando como exemplo o Cristovam Buarque, temos informações sobre todos os seus votos, todos seus projetos e propostas, todos seus discursos e até quanto pediu de verba indenizatória. Navegar pelo mundaréu de projetos de lei e emendas à Constituição pode até virar uma boa diversão para o nerd político, pois você encontra desde propostas muito boas, mas dificilmente aprováveis, como a que obriga políticos com mandato a entrar  automaticamente na malha fina, até aquelas ligeiramente sem noção, como a que veda a inscrição “Ordem e Progresso” da bandeira até a erradicação do analfabetismo, ou as completamente sem noção, como o projeto contra a heterofobia. Tem também alguns projetos mais preocupantes, que podem tomar fôlego com o discurso conservador ressuscitado nas eleições, como o que torna o aborto um crime hediondo ou o chamado Estatuto do Nascituro, que pode resultar na proibição total do aborto, inclusive nos casos ainda permitidos por lei.

A Câmara também tem um espaço para chats com alguns deputados sobre alguns projetos de maior interesse, mas infelizmente ainda não dá para amarrar um deputado fujão diante do computador e enviar choques elétricos caso ele não responda as perguntas. Outra iniciativa interessante de participação digital é esse projeto da Câmara para permitir o envio de perguntas por email durante audiências de algumas comissões da casa. Claro que deve ter algum filtro, nem que seja por causa do volume de mensagens que podem ser recebidas e o teor potencialmente esculhambativo da maioria delas, mas, não havendo filtragem política, o mecanismo pode ser útil. Mas ainda dá para viajar um pouco e pensar em diversas formas de como melhorar a idéia. Por exemplo, uma forma de eliminar o risco da filtragem política seria assumi-la e fazer com que os próprios deputados fizessem essa filtragem, depois de uma filtragem básica para eliminar xingamentos. Outro mecanismo adicional interessante seria criar uma interface para o envio de perguntas que permitisse ver as perguntas sugeridas e votar nelas, como no mecanismo em comentários de blog ou no digg. Mas, no final das contas, seria um ótimo mecanismo de wisdom of the crowds: várias cabeças pensando, analisando as falhas do discurso, buscando informação simultaneamente para municiar o deputado e, assumindo ou não o viés político, isso tenderia a melhorar a qualidade das questões colocadas.

É mais ou menos o resultado que podemos esperar de uma iniciativa como aquela consulta popular para a modificação da Lei dos Direitos Autorais e que eu gostaria bastante de ver adotada para outras propostas. Isso porque, mesmo que não se chegue a votar diretamente nas propostas pela internet (e não sei mesmo se isso seria bom), que muito besteira e trollagem possa vir a ser gerada na discussão e que o lobby continue forte, eu acredito que, no final do processo, a qualidade dos argumentos acaba sendo depurada. Eu nem tinha visto que era possível mandar documentos mais completos, inclusive como pessoa física, o que permite uma argumentação ainda melhor, mas é uma pena que, pela lista de entidades que enviaram, os grupos mais copyleftists tenham marcado bobeira nesse ponto. Porém, não foi culpa do meio. Se os grandes interessados podiam investir em documentos bem elaborados, no mínimo o custo do lobby nesse caso foi bastante democratizado.

Vereza = Mayara Petruso com Bibliografia Porca

novembro 8, 2010

Dentre a meia dúzia de artistas que apoiaram Serra, na parnasiana companhia de Sandy e Luciano Huck, esteve aquele Carlos Vereza. Eu tinha ouvido falar que na falta de artistas apoiando a candidatura do Tea Party brasileiro — o número de assinaturas do manifesto de intelectuais e artistas a favor da Dilma diferia em uma ordem de grandeza do equivalente tucano — suas opiniões tiveram alguma repercussão, mas não tive a curiosidade de ir atrás delas na época. Agora, através de algum link no twitter, fui bater no blog da criatura, caindo em um texto que pouco avança o estilo já pouco digno da apocalíptica tucana, tão popularizado pelos spams durante a campanha eleitoral. Mas o que realmente me chamou a atenção foi uma das mais incríveis e descaradas confissões de preconceito que já vi, um suicídio de qualquer pretensão de reputação intelectual.

O primeiro parágrafo já diz tudo, sobre o texto, sobre o blog e sobre a mente do autor: “Al Capone, não faría melhor. Como são sórdidos.Teremos que recorrer à Lombroso, com sua teoria de medir a criminalidade de uma pessoa, pela estreiteza de seu crânio, orelhas de abano, nariz retorcido,etc : Close de Lula! Embora, esta teoría tenha sua validade colocada em dúvida, O Grande Timoneiro, é um modelo vivo a amparar esta curiosa tese.” Porra, evocar Lombroso para entender Lula? Ou melhor, falar a sério de Lombroso hoje em dia?? Pra quem não sabe,  Cesare Lombroso propôs lá pelo final do século XIX a existência de uma personalidade criminosa inata, causada e manifestada em diversas anomalias físicas que indicavam uma maior proximidade com os ancestrais primatas dos humanos modernos, supostamente mais violentos.

Eleição para presidente segundo o Vereza

O ponto alto dessa idéia de jerico era a tese de que essas anomalias definidoras da tendência ao crime tinham manifestações físicas reconhecíveis e mensuráveis, talvez até, segundo Lombroso, num grau de detalhe capaz de determinar a propensão específica a determinados tipos de crime. Indo além da já péssima idéia de classificar seres humanos em graus de proximidade com ancestrais primatas e do agravante de usar para isso o recurso de características físicas, a associação dessa classificação com uma suposta capacidade de determinar propensão criminosa praticamente implora para que se tire como conclusão que a eugenia é a melhor profilaxia para o crime. Do ponto de vista puramente científico, mesmo se não houvesse um estudo posterior, por Charles Goring, mostrando a falta de correlação estatística entre criminalidade e as características físicas estudadas por Lombroso, já era possível desconfiar que a idéia era ruim pela dificuldade de isolar as variáveis e determinar a verdadeira relação causal: uma explicação social para o crime seria perfeitamente compatível com uma alta correlação entre um determinado tipo físico e criminalidade se entendermos que esse tipo físico caracteriza um grupo social excluído e mais propenso ao crime por essa razão. Enfim: a idéia já era uma merda há mais de cem anos e hoje não está melhor que uma merda fermentada por cem anos. Mas Vereza tem seus méritos. Acredito que nem Diogo Mainardi teve culhão para confessar em público desse jeito a bibliografia da neo-direita brasileira e para caracterizar a fisionomia tipicamente nordestina do presidente da República como um indicador de criminalidade inata. Quem sabe não pode virar lider intelectual da nova juventude hitlerista?

O mercado estava com medo da Dilma?

novembro 5, 2010

Serra, em algum debate perdido do segundo turno, disse pretensiosamente que as ações da Petrobrás tinham subido porque ele tinha subido nas pesquisas de intenções de voto, explicando que isso se devia à ingerência do governo na empresa. Durante todo o processo eleitoral a imprensa responsabilizou o governo pela queda do preço das ações. Pois bem, pode ser cedo para afirmar qualquer coisa, mas só sei que depois da vitória da Dilma, a PETR4 deu 5,7% em quatro dias de negociação. E se indicarem o Palocci para presidente da empresa, vai ser hora de raspar a poupança e jogar tudo no patinho feio da Bovespa no ano.

Ações da Petrobrás disparam com a definição do cenário eleitoral

Para o bem das esquerdas, salvem a direita!

novembro 4, 2010

Uma análise através de uma teoria dos jogos fuleirinha da situação da oposição depois da bagaceira que foi a campanha do Serra

A Vivi já falou no seu post sobre o dia seguinte das eleições sobre a insistência do Serra em não se recolher de volta à cripta de onde saiu e continuar a assombrar o PSDB com seu projeto pessoal de conquistar a presidência a qualquer custo. Eu já linkei aqui um ótimo texto sobre a necessidade urgente de o PSDB se refundar. E eu, apesar de continuar discordando do projeto do PSDB em sua forma pura, por exemplo, na limitação do papel do Estado na economia, torço para que essa refundação ocorra. E é isso que o PT devia fazer e estimular também, principalmente depois das lições dessa última eleição. Comecei a pensar nisso, na verdade, quando, no primeiro turno, Marina apareceu com a sua utopia de governar com o apoio dos bons do PT e do PSDB, eliminando a necessidade dos partidos fisiológicos como o DEM e o PMDB. Em tese parece uma ótima idéia, mesmo desconsiderando completamente que ela poderia servir como um dos exemplos mais delirantes de wishful thinking. Mas, comentei com um amigo que à época estava tentado a votar em Marina (e foi demovido pelo meu argumento de que seu ponto de vista religioso poderia obstacular avanços científicos como os das células-tronco), na verdade é bom que PT e PSDB não se aliem, porque assim a polaridade política ficaria dominada por dois partidos razoáveis, que compartilham muitos valores importantes e cujas divergências não chegariam a representar uma guinada radical no rumo em que o Brasil está. Claro, isso foi antes do primeiro turno, portanto bem antes da famigerado pentecostes tucano…

Minhas leituras de Teoria dos Jogos ainda são muito fraquinhas, mas em tese o que aconteceu naquele momento da virada religiosa da campanha foi algo similar ao que acontece no dilema do prisioneiro: os dois lados ficariam melhor se o tema do aborto e outros temas conservadores não entrassem em discussão, mas, a partir do momento em que esses temas se mostraram capazes de decidir o jogo, a tentação de explorá-los tornou-se forte demais, mesmo implicando em um certo prejuízo na pureza programática inicial do partido que a adotasse. É claro que há uma certa assimetria aí e era mais fácil para o PSDB-DEM cair nessa tentação do que para o PT, mas, ignorando isso e supondo que a tentação fosse simétrica, o fato é que quem caísse nela primeiro teria uma vantagem e ao outro lado só restaria tentar eliminar essa vantagem cedendo à tentação também, num resultado que representa um prejuízo para ambas as partes em relação à cooperação para que a eleição chegasse ao fim sem que esse tema se tornasse central. O mais ridículo é que nesse jogo abstrato, se ambas partes cedem igualmente e recebem o benefício disso igualmente, o desempate continua sendo pelas vantagens anteriores a essa jogada. Quer dizer, se fosse somente uma questão de assinar um documento e receber os votos correspondentes automaticamente e ambos os lados fizessem isso, a decisão dos religiosos passaria a ser motivada pelo posicionamento em relação aos outros temas, já que, quanto a esse, há empate. Assim, a terceira parte (na verdade, é mais um jogo com mais de dois jogadores do que um dilema do prisioneiro), fora da disputa, ganharia com qualquer resultado e as duas partes em disputa perdem igualmente em relação aos seus programas iniciais. De forma mais realista, com um lado cedendo mais que o outro, o risco é o de, ao invés de focarmos a disputa numa divergência de perspectiva (liberalismo x intervencionismo) dentro de um consenso sólido sobre questões básicas (investimento no social, progressismo em relação às questões importantes para os religiosos..), a briga virar uma luta tudo-ou-nada com todo o progressismo de um lado e tudo que há de retrógrado no outro, rumo em que está a discussão nos EUA. O PT e o PSDB deveriam ter jogado um jogo de cooperação, de soma não-zero, mas ficamos perto de descambar para o jogo de soma zero, o jogo do tudo ou nada. Quando Lula disse que era preciso eliminar o DEM (pelo voto, é claro) tinha razão, mas faltou dizer que oposição ele quer. O PT precisa, de alguma forma, cultivar a sua oposição e o PSDB precisa arrumar uma aposentadoria compulsória para o Serra. Por sorte, já tem gente com juízo falando nisso. Não vou votar na oposição, mas torço pela sua recuperação.

Obs.: Em um ecossistema estável, há uma co-evolução das diversas espécies que interagem entre si, inclusive de predadores e presas. O jogo de coalisão inteligente toma cuidado para fazer a oposição prevalente evoluir junto e domestica setores potencialmente complicados. Pensando assim, um dos elementos mais surpreendentes pra mim dessa discussão destrambelhada do segundo turno foi a “domesticação” da IURD na discussão do aborto. O interesse político da galerinha linda da IURD acabou levando a um abrandamento do seu discurso religioso e isso é ótimo. Que isso continue.

Campanha pelo Casamento Gay nos EUA

novembro 2, 2010

Essa vai pro Serra, pro Malafaia e pra todo mundo que já está implicando com o PL122… Imaginem o que falariam de casamento gay…

(via Bule Voador)

É interessante que, nos EUA, enquanto o Tea Party e a patota da idiocracia sobem o discurso, os grupos mais progressistas também começaram a se organizar e falar mais alto a favor do casamento gay ou da liberação da maconha. É bom a gente começar a fazer mais barulho no Brasil para se adiantar nessa briga.

Carlos Drummond e José Serra

novembro 2, 2010

A despedida de Serra: são as águas de outubro fechando a eleição…

novembro 2, 2010

Galera, acordei ontem com uma sensação de alívio e sorridente (nem preciso contar o motivo ou os motivos!). Daí, fiz um cafezinho e fui ler as notícias. Queria comemorar novamente a vitória da Dilma. Estava crente que a cobertura sobre as comemorações da sua vitória pelo Brasil e pelo mundo tomariam conta do noticiário.

Ah, como eu sou bobinha! Aos poucos, percebi que o resultado dessa eleição histórica não surtiu o devido efeito na mídia. Acho que a minha ingenuidade se deve em grande parte ao crescente entusiasmo e esperança que Dilma plantou em nossos corações. Fora isso, confesso que fiquei empolgada com o “Bolinhagate”. Não pelo fato em si porque não passou de mais um “mico”do Serra, especialista nesta arte. O interessante é que parecia que enfim a imprensa tinha começado a dar sinais de recuperação depois de meses fazendo um servicinho de…. tucano, digamos! Infelizmente, depois de uma vitória expressiva, Dilma continua sendo alvo de jornalistas enfurecidos que insistem em interpretar o resultado das urnas de um modo pra lá de tendencioso com um ar de distanciamento profissional. Essa pseudo neutralidade é que mata! Acho que os caras têm todo o direito de dizer o que querem desde que deixem claro o que ou quem está por trás do seu ponto de vista. É impressionante como não estamos acostumados com a liberdade. Tá certo que isso é algo que foi conquistado recentemente, mas gostaria de ver mais empenho no exercício desse direito por parte da imprensa e das pessoas públicas. Fico surpresa com o comportamento de alguns artistas de peso bem como o de “celebridades”. Os caras saem correndo ou desconversam quando um repórter pergunta quem é o candidato deles! O que é isso? Medo de represália!?! Talvez isso faça sentido no caso dos “globais”, mas é triste ver caras como Roberto Carlos e Edu Lobo agindo dessa forma.

Mas, voltando ao noticiário de ontem, tudo indica que a imprensa continua servindo ao terrorismo tucano. Será que a imprensa comprou a nova campanha de Serra (ou melhor foi comprada) ?! “E para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer nós apenas estamos começando uma luta de verdade, estamos no começo do começo dessa luta. Nós vamos dar a nossa contribuição ao nosso País, como partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta dos próximos anos”. O que ele chama de luta de verdade? Todas as manobras tucanas no decorrer da campanham eram só um ensaio, uma brincadeira? Parece que nessa “luta” a imprensa foi a primeira a pegar nas armas. Diversas manchetes apresentam um mapa das eleições destacando o papel de cada região do país na distribuição dos votos. Tudo isso para alegar que a vitória de Dilma se deve aos votos da região Norte e Nordeste. A imprensa manipula mal os números para defender a visão tucana elitista que divide o país entre pobres e ricos. Também, o que poderíamos esperar de um partido que coloca o seu candidato para se apresentar em uma favela cenográfica no programa do horário eleitoral?

Dilma ganharia mesmo sem contar com os votos dessas regiões “atrasadas”, pois teve 58% dos votos de Minas Gerais, mais de 60% dos votos do Rio de Janeiro, quase 50% dos votos no Rio Grande do Sul e quase 46% dos votos em São Paulo. Bom, pensando bem não há nada de novo nisso. Lula também foi “acusado” de ter ganho as duas eleições graças aos votos de gente pobre e ignorante. Gostaria de saber como a elite tucana explicaria a expressiva vitória do Tiririca em São Paulo, o estado mais rico da federação. Talvez seja o caso do PSDB se conformar que pobre também vota e é exigente.
Apesar do Serra ter declarado que “Isso não é um adeus, é um até logo”, eu duvido que o PSDB vai cometer novamente um suicídio político e indicá-lo para concorrer à presidência em 2015. Por isso, gostaria de homenagear o Serra “do bem” na sua despedida do cenário presidencial, apesar dele ainda não ter se dado conta disso.

Não estou sendo nem um pouco original. O Drummond de Andrade já previu este momento difícil na carreira do Serra e escreveu “E agora, José?”. Eu resolvi homenagear o tucano cabeça de papel parodiando um trechinho da bela canção do Tom Jobim:

É cara de pau, é Serra, é o fim do caminho
É, levou um toco, é muito sozinho
É Paulo, Preto, é uma bolinha, é o metrô
É PSDB, é Dem, é muito caô

É uma cobra, é um cara de pau, é Índio, é José
É, esses caras “levaram um pé” para deixar de ser mané

São águas de outubro fechando a eleição
É a promessa da Dilma à frente da Nação.